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segunda-feira, 19 de março de 2012

Roda Violeira


  Eu, Luis Gustavo Temple , no meu primeiro ano de colegial visitei junto com a sala e nosso professor de filosofia uma creche em um bairro afastado do centro de São Paulo. A creche era bem cuidada de acordo com as condições financeiras e sobrevivia muito pelas doações de comida roupas e etc.. 

  Eram crianças de origem muito humilde, muitas vezes os pais trabalhavam durante todo o dia , fazendo da creche uma segunda casa para os meninos e meninas. A simpatia das crianças para conosco foi imediata. Éramos novidade, verdadeiras atrações naquele lugar alegre, e toda atividade que envolve crianças já é carregada de uma alegria enorme por si só. A gente conheceu muito bem a moçada, tinha de tudo.  Os pestinhas, aqueles mais tímidos, alguns com reais problemas de se relacionar, todos muito educados. A sala, além de levar uma quantia de brinquedos,  tinha a missão de interagir com as crianças. E nessa questão de interagir me senti bem útil. Não mais importante que os outros, pois foi a presença de todos que fez a festa, mas simplesmente pelo fato de quando tudo anda muito bem, basta colocar a música para ficar ótimo.

 Eu fui encarregado de levar o violão. Depois de algumas aulas instantâneas de violão, nas quais os meninos me mostraram maneiras impensáveis de tocar aquele instrumento, alias muito usado para percussão, uma das “Tias “da creche deu a ideia de entrarmos no salão para arquitetar uma rodinha de violão. E então foi pura diversão. Toda a creche reunida naquele circulo adaptado devido ao espaço, cantando Paralamas do Sucesso, Titãs, Nando Reis, músicas que as crianças provavelmente desconheciam, mas repetiam com perícia as vogais finais de cada frase. Uma outra “ Tia “ que sabia tocar, fez questão de mostrar sua habilidade para as crianças, e ainda tinha um felizardo que fazia aniversário e ouviu o parabéns tocado pela “Tia” e cantado pela creche em um dos seus dias mais lotados.

 Foi uma experiência estética, creio eu, bem significativa para mim. Existia toda uma diferença de idade e cultural a ser batida, o que foi bem facilitado por eles é verdade. Aprendi muito e queria poder fazer isso mais vezes.

Luis Gustavo Temple

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