Eu, Luis Gustavo Temple , no meu primeiro ano
de colegial visitei junto com a sala e nosso professor de filosofia uma creche
em um bairro afastado do centro de São Paulo. A creche era bem cuidada de
acordo com as condições financeiras e sobrevivia muito pelas doações de comida
roupas e etc..
Eram crianças de origem muito humilde, muitas
vezes os pais trabalhavam durante todo o dia , fazendo da creche uma segunda
casa para os meninos e meninas. A simpatia das crianças para conosco foi
imediata. Éramos novidade, verdadeiras atrações naquele lugar alegre, e toda
atividade que envolve crianças já é carregada de uma alegria enorme por si só.
A gente conheceu muito bem a moçada, tinha de tudo. Os pestinhas, aqueles mais tímidos, alguns
com reais problemas de se relacionar, todos muito educados. A sala, além de
levar uma quantia de brinquedos, tinha a
missão de interagir com as crianças. E nessa questão de interagir me senti bem
útil. Não mais importante que os outros, pois foi a presença de todos que fez a
festa, mas simplesmente pelo fato de quando tudo anda muito bem, basta colocar
a música para ficar ótimo.
Eu fui encarregado de levar o violão. Depois
de algumas aulas instantâneas de violão, nas quais os meninos me mostraram
maneiras impensáveis de tocar aquele instrumento, alias muito usado para
percussão, uma das “Tias “da creche deu a ideia de entrarmos no salão para
arquitetar uma rodinha de violão. E então foi pura diversão. Toda a creche
reunida naquele circulo adaptado devido ao espaço, cantando Paralamas do
Sucesso, Titãs, Nando Reis, músicas que as crianças provavelmente desconheciam,
mas repetiam com perícia as vogais finais de cada frase. Uma outra “ Tia “ que sabia
tocar, fez questão de mostrar sua habilidade para as crianças, e ainda tinha um
felizardo que fazia aniversário e ouviu o parabéns tocado pela “Tia” e cantado
pela creche em um dos seus dias mais lotados.
Foi uma experiência estética, creio eu, bem
significativa para mim. Existia toda uma diferença de idade e cultural a ser
batida, o que foi bem facilitado por eles é verdade. Aprendi muito e queria
poder fazer isso mais vezes.
Luis Gustavo Temple
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