Martim
Cavalcanti, 04 de Março de 2012
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- Estética
Em
Julho de 2011 fui viajar para a Colômbia para fazer parte de um acampamento que
reuniria jovens de diversos países. Como já sabia falar espanhol e já conhecia
o país, a chegada não foi muito “apavorante”. A ansiedade e o nervosismo só
surgiram quando chegou o momento de conhecer os outros “acampantes”. Uma festa
de chegada havia sido organizada para todos e seria a partir dela que o
acampamento seria iniciado.
Desde
o começo, a festa foi bem agradável e as pessoas que conheci eram incríveis.
Logo de cara fiquei amigo de um hondurenho e uma americana, mas acabei passando
a festa inteira com um norueguês e uma espanhola. A festa foi ótima como “um
processo de iniciação” porque esta fez com que todos perdessem a vergonha e já
se aproximassem.
Depois
de alguns dias, comecei a me interessar pelo norueguês, cujo nome (que até hoje
eu não sei pronunciar) era Vegard. No começo, a atração era apenas superficial;
me interessava por seus traços. Porém, com o passar do acampamento, o que era
apenas uma “queda”, acabou se tornando, cada vez mais, um sentimento. Um
sentimento que era difícil de rotular, mas ainda mais difícil de entender. Às
vezes faltavam palavras, as vezes saiam palavras demais, era como um curto
circuito toda vez que os nossos olhos se encontravam.
Uma
noite antes de dormir, o escrevi uma carta explicando tudo que estava sentindo,
para tentar descarregar o peso de guardar esse segredo. Não pude ver sua reação
ao lê-la, e por menos esperançoso que estivesse quando a entreguei, antes de
dormir me encontrei eufórico com a possível resposta.
No
dia seguinte, logo após o café, ele me chamou para conversar e nós fomos até
uma ponte que tinha no acampamento. Quando chegamos, nos apoiamos em umas pedras
para conversar e assim que nos aconchegamos, duas borboletas sobrevoaram nossas
cabeças. O sol refletia em um lago, ouviam-se passarinhos, e não havia nada que
pudesse deixar esse momento mais perfeito do que já estava. Nós conversamos por
um tempo, um pouco sobre a carta e um pouco sobre o nada e assim que ambos
ficaram sem assunto, ele se aproximou e finalmente nos beijamos. Seu lábio
tinha gosto de piscina, e estava frio por causa da água; e naquele momento,
seus olhos estavam mais verdes do que nunca.
Foi
nesse momento que eu soube que pela primeira vez na vida, eu havia me
apaixonado de verdade por alguém. O ideal finalmente sucedeu o real, e tudo
aquilo que parecia ser impossível, que parecia ser de filme, virou realidade. E isso foi minha experiência estética; quando os
sons, as imagens, as falas e tudo mais fizeram de um momento bom, um momento
inesquecível. Tão inesquecível que faz meu coração acelerar até hoje, como se
fosse agora.
Vegard e Eu
Acampamento



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